Resumo:
A bagaceira de José Américo de Almeida é uma excelente fonte de análise social da região Nordeste do inicio do século XX. Nela encontramos uma denúncia contundente das desigualdades sociais presentes em uma sociedade patriarcal-rural, onde o senhor de engenho representa status e poder. É nessa perspectiva que pretendemos, através desse trabalho, analisar a realidade social do Nordeste brasileiro apresentado por José Américo, evidenciando as diversas formas de exploração de trabalho do homem sertanejo que devido às consequências da seca deixa o seu torrão natal, fugindo para o brejo em busca de trabalho. Assim, apresentamos uma análise do Nordeste pelo viés da Bagaceira, obra inaugural do regionalismo, que aborda as desigualdades sociais através da problemática da seca de1898, do êxodo rural, das arbitrariedades praticadas pelo senhor de engenho contra os trabalhadores da bagaceira. Nesse contexto sociocultural nos deparamos com uma sociedade nordestina marcada pelo patriarcalismo rural e pelo servilismo hereditário, e que condenava os “cabras” do eito à condições sub-humanas de miserabilidade e de pobreza extrema, práticas estas, presentes na cultura da cana-de-açúcar. Finalizamos com olhar para as sensibilidades das relações trabalhistas, pela qual se manifestam as facetas das diversas formas de injustiças sociais que colaboraram para o enriquecimento avassalador do Senhor de engenho em detrimento do empobrecimento sumário do trabalhador rural.
Descrição:
SILVA, J. L. da. Regionalismo nordestino e relações de trabalho na obra "A Bagaceira". 2014. 23f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em História)- Universidade Estadual da Paraíba, Guarabira, 2016.