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Sabe-se que o poder, enquanto relação, possui um certo grau de desequilíbrio quando exercido de forma incorreta, seja no âmbito estatal, político ou financeiro. Nas relações de poder, quem detém maiores recursos é responsável pela tomada de decisões, ainda que estas sejam exageradas ou negativas. Ao analisar uma sociedade moldada pelo estilo patriarcal (Saffioti, 2015), em que a figura masculina historicamente se sobrepõe à feminina, e na América Latina este conflito nas relações torna-se ainda mais evidente. Nesse contexto, este estudo tem por objetivo analisar como estão representadas e as consequências acarretadas das relações de poder e submissão na construção dos personagens, Amadeo Peralta e Hortensia no conto “Si me Tocas el Corazón”, parte da obra Cuentos de Eva Luna (2018), da escritora chilena Isabel Allende. Além de investigar as consequências da dominação exercida por Peralta, bem como, verificar o impacto dos meios de manutenção do poder, como o sistema patriarcal e a submissão na perda de identidade pessoal de Hortensia. Utilizando uma abordagem qualitativa com foco na análise de conteúdo, a pesquisa discute o desequilíbrio nas relações de poder, especialmente em contextos patriarcais e de dominação masculina, fundamentando-se nas teorias de Foucault (1979, 2006), Weber (1999) e Bourdieu (1989, 2012). O conto explora a relação abusiva entre Amadeo Peralta, um homem com fama obscura e perigosa, e Hortensia, uma jovem mantida em cárcere privado por 47 anos, marcada pela violência física e psicológica, o que resulta em perda de identidade. A submissão de Hortensia é analisada à luz das ideias de Beauvoir (1970) e García (2020), questionando se tal submissão foi natural ou consequência de forças impostas. Além disso, este trabalho baseia-se em fontes como a obra Mujeres de alma mía (2021), uma homepage dedicada à vida e obra de Allende (2024) e uma entrevista concedida ao canal Telemundo (2017), para contextualizar as influências e a visão da autora sobre as relações de poder e gênero. Sendo assim, em decorrência ao poder, entendemos que nas relações sociais, o poder sempre existiu e vai continuar existindo, no entanto, a maneira com que apodera-se dele vai determinar o curso destas interações sociais e amorosas, pois em uso desequilibrado esse poder acarreta em diversos tipos de violência e dependência. |
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